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Carolina Delboni | O Fundo do Mar
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O Fundo do Mar

O Fundo do Mar

Na última estação, a moda infantil foi buscar inspiração no fundo do mar para criar suas coleções. Sim, moda para crianças também tem tendência e sazonalidade. Porque, antes de ser infantil, é moda e também tem que funcionar dentro dessa engrenagem.

As ideias para criar uma coleção vêm do próprio universo infantil. As marcas querem agradar as crianças e, muitas vezes, oferecer exatamente o que elas querem garante uma venda mais rápida. Isso quer dizer estampar personagens de desenhos, princesas, e usar muito adereços como fru-frus e babados.

As cores também costumam seguir regras e dividem meninos e meninas nas araras de 90% das marcas nacionais. É azul e verde pra um lado, e rosa e lilás pro outro. Tudo óbvio e bem fácil. Mas também sem grandes ideias e grandes impactos. Os outros 10% do mercado bebe na fonte das mudanças de comportamento do universo adulto para dar forma às coleções.

Só nesses casos conseguimos ver um trabalho que tem pesquisa, cartela de cores, modelagens e também uma preocupação com quem vai usar e comprar as roupas.

Parece improvável, mas uma em cada três crianças é quem faz a escolha nas lojas. Não são mais os pais que detêm o poder -só o dinheiro. Ajudam a direcionar e a formar os critérios de escolha, mas quem diz se usa ou não é a criança. E vai tentar pôr o que ela não quer pra você ver o que acontece…. Essa mudança alterou o mercado e, hoje, grifes infantis precisam agradar pais e filhos.

E aí que entra o fundo do mar. Tem a ver com o universo de fantasia das crianças, mas está também nas passarelas e revistas de moda. A marca infantil da estilista inglesa Stella McCartney se inspirou nele em seu último desfile. A revista francesa de moda infantil “Milk” aponta o look marinheiro como uma das tendências europeias e a nossa N.Magazine fez um editorial lindo nas praias da California para comemorar 5 anos da revista. Por aqui, marcas como Bébé Sucre, Mini U.S. e a colorida Puc também desceram ao fundo do mar para criar estampas em suas coleções. Algumas mais tímidas, ainda com peso maior na tendência de marinheiro como a Bébé Sucre. Ainda que tenha estampas de conchas e corais, as cartela de cores ficou no tradicional vermelho, marinho e branco. Só mesmo a Puc que incorporou o verde água com predominância. O resultado é uma coleção mais clara, mais colorida e com um ar fresco, novo. Ainda não visto.

No balanço das ondas também duas marcas adultas também navegaram na tendência. Uma delas é a carioca Cantão. Cores do mar, tons de azuis e verdes, além dos vermelhos e amarelos de conchas e corais. Tudo muito brasileiro e vivo, como deve ser lá nas profundezas. A Zara Home também está com uma linda coleção toda cheia de animais e vegetação das profundezas. Dá pra decorar todo quarto das crianças e ainda montar um jogo de louças para casa. No maior bom gosto da fast fashion que a gente adora (rsss).

Na ponta extrema, a italiana Prada, desfilou um inverno 2015 que nada aparentemente nada tem a ver com o fundo do mar (ou com crianças). Mas lá estão suas cores e texturas. As luvas e os braços alongados como tentáculos de seres marinhos. As botas emborrachadas com formato de tubarão. E, na cartela de cores, o verde usado é tão verde quanto as águas da Riviera Nayarit, no México, onde passam o verão os milionários em busca de um lugar ao sol. E são nessas águas que as inspirações imergem e se transformam em estampas, cores e muitas peças pro guarda-roupa infantil.

 

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