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Carolina Delboni | Era dia de dizer Tchau
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Era dia de dizer Tchau

Era dia de dizer Tchau

Eu escapei…depois da 1ª. Vez não quis sofrer de novo. Fui ao cabeleireiro, bem fútil. Mas me arrependi. Queria ter dito tchau. Acho que só assim a gente entende porque o outro precisa ir embora. Precisava ter dito tchau, precisava estar ali com os meninos pra dizer tchau. Mas não consegui. Dói demais dar tchau a alguém que tem tanto carinho pelos seus filhos, que cuida com amor de verdade, daqueles que a gente sente não precisa ninguém contar. Depois de mais de 1 ano, é muita intimidade que vai embora. Compartilhar os cuidados dos teus filhos com alguém é muito especial, não é pra qualquer um. Mãe não deixa ser qualquer um.

Daí entra uma pessoa nova na sua casa que precisa aprender tudo. E mais do que aprender a como guardar roupas e fazer a mochila da escola, ela precisa aprender a gostar, ter carinho, a cativar. Cativar você e seus filhos. Eles ainda não gostam dela e nem ela gosta deles. Eles ainda são estranhos e precisam se relacionar no meio da correria do dia a dia e da saudades de uma pessoa já tão querida. Precisa de tempo e nessas horas o tempo é longo, dá mais saudades ainda, a gente lembra do “dia do tchau”, a gente lembra de quem não está mais e que esse alguém só vai voltar pra visitar.

O “dia do tchau”…esse foi bem difícil!!! Chegou rápido e quando a gente viu era de noite, ela tava indo embora e precisavam se despedir. O Lucas deu um abraço apertado e um beijo. Pedro também. E ficou com aquela carinha triste. A Ana chorou e disse que ia sentir saudades. Depois que eu cheguei parece que eles desabaram na saudades. Pedro chorava de soluçar e perguntava, sem parar, por que ela foi embora. Difícil consolar um coração tão novinho de perdas…

“Mas mãe, por que a Ana teve que ir embora? Por que ela só vai voltar aqui 1 dia (qdo vem receber)?” E fez gesto com 1 dedinho pra cima, olhando pra ele como a menor coisa do mundo…”Por que só 1 dia? Não pode ser muito?”. “Por que ela teve que ir embora? Por que ela foi cuidar dela? Quem vai fazer café da manhã pra ela? Mas a gente vai sentir muita saudades da Ana…Eu não queria que ela fosse embora. E se a gente parar de sentir saudades dela, ela vai ficar triste e vai chorar. Ela chorou quando foi embora porque ela também gosta de gente. Ela também vai ficar com saudades. Por que a gente não pode ver ela muitos dias? Por que ela só vai voltar aqui 1 dia? Por que ela teve que ir embora? Eu to com muita saudades da Ana…”

Nossa! Que imensidão no meu coração. Que imensidão num coração tão pequenininho!!! Como pode a saudades fazer tanto com a gente, como pode ser o tchau uma palavra tão difícil de sentir…A gente deveria querer que não existissem os tchaus na vida. A gente cativa, é cativado e depois fica sozinho. Pra quê…

“Mãe, quando a pessoa morre também sente saudades? Por que fica velhinho? Velhinho morre? E vai pra onde, pro céu? O que tem lá de café da manhã? Todo mundo fica velhinho? Mãe também fica velhinho? Mãe também morre? Mas eu vou ficar com saudades…E depois a pessoa nasce de novo? Eu vou nascer primeiro na sua barriga? Mas mãe, por que a Ana foi embora? To com saudades da Ana…Mãe, o biso Bruno vai dormir e vai acordar lá no céu e a bisa Bel vai ficar com saudades porque ele vai dormir e não vai mais acordar. Mãe, quando a Ana vai voltar? A gente pode chamar ela pra ficar muito aqui em casa?”

Foi assim nossa conversa no dia de dizer tchau. Sentados no meu colo, dentro do quarto já prontos pra dormir, Pedro e Lucas. Foi uma conversa longa…Lucas dormiu, sentido, mas do jeitinho calado dele. Pedro dormiu também, mas exausto entre um choro muito comprido e suspiros. Ele chorou muito!!! Ele falava soluçando comigo. Foi difícil. Difícil vê-lo assim, com um sentimento tão grande dentro dele e tendo que lidar ainda tão pequeno. Foi difícil acalmá-lo (e me acalmar). Foi difícil dormir. Muito.

3 Comments

  • Anonymous

    17.03.2008 at 21:32 Responder

    Realmente é comovente e verdadeiro este sentimento tão puro e ingênuo. Dá vontade de chorar, e chorei…
    Em meio à tantos acontecimentos e correria do dia-a-dia. A gente estuda,vai pra faculdade, trabalha, fica na internet e mesmo assim quando a gente se depara com um sentimento tão efêmero, mas de qualquer forma tão profundo, a gente ainda chora. Chora e muito…pois é extramente algo que pouco temos a oportunidade de presenciar, ver e sentir; sou mãe e sei que é simplesmente verdadeiro!

  • Carolina Delboni

    18.03.2008 at 20:45 Responder

    não sei quem escreveu o comentário, mas sendo mãe sei que entende o que escrevi…engraçado, mas tem coisas que só mãe mesmo pra entender

  • keka salgado

    24.03.2008 at 18:59 Responder

    Achei seu blog super por acaso, estava no google procurando lembrancinhas para a festa de 4 anos da minha filhota… comecei a ler uns posts seu e , lá estava: bolinho de chuva(amo,)sagitariana, assim como eu, amo conhecer sagitarianos, nossa cabeça voa, querenos conhecer tudo, ver tudo, viajar tudo, Praia, sol, mar , cachoeira, montanha,rio, ô diacho sô!
    Não tenho blog, talvez me anime a ter…

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