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09 set 2021

Efeito reverso: retomada das atividades escolares tem gerado crise de pânico em algumas crianças

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pandemia não passou ilesa por ninguém. O estresse contínuo, o medo, a tristeza e a incerteza do cenário da COVID-19 pesaram sobre a gente de diferentes formas e o mesmo vale para crianças e adolescentes que passaram por um período especialmente difícil de lidar emocionalmente. Alguns sofreram a perda de familiares ou pessoas próximas e várias famílias também se desestabilizaram financeiramente. Ao mesmo tempo, crianças e adolescentes tiveram apoios interrompidos, como escola, serviços de saúde e mesmo serviços comunitários.

E depois de tanto tempo longe dos amigos, da vida social e do ambiente escolar era esperado que muitos tivessem o desejo de recuperar a “normalidade” da vida, mas não tem sido assim para um grupo de adolescentes que tem enfrentando crises de pânico ao se deparar com o mundo fora de casa.

Ao contrário de alguns que têm comemorado a retomada da escola e de atividades cotidianas, outros jovens têm enfrentado medo, ansiedade e insegurança, todos gatilhos de uma possível crise de pânico, acontecimento que já é fato em consultórios de psicólogos.

O fato de eles terem passado muito tempo dentro de casa, com uma certa suspensão da vida, seguros e com recursos de proteção como a própria tela do computador ou do celular, tem dificultado esse abrir a porta de casa e poder fazer parte do mundo novamente. Exige deles que saiam do ambiente protegido e se exponham na escola, entre os amigos e até a desconhecidos. É preciso se reinserir no mundo e isto não tem sido fácil a muitos adolescentes.

Um novo estudo da Universidade de Calgary publicado na revista médica JAMA Pediatrics, mostra uma porcentagem alarmante de crianças e adolescentes que está passando por alguma crise mental devido à pandemia de COVID-19. A publicação reuniu dados de 29 estudos separados de todo o mundo, incluindo 80.879 jovens em todo o mundo. As novas descobertas mostram que os sintomas de depressão e ansiedade dobraram em crianças e adolescentes quando comparados aos tempos pré-pandêmicos.

Isso mostra que o reflexo da pandemia nos adolescentes já extrapolou as paredes do quarto. Existe um isolamento dentro do isolamento e não é aquele saudável e típico esperado da idade. Agora é permeado pelo que chamamos de doenças mentais. E entre as certezas que temos é que a pandemia nos deu um alerta para questões que possivelmente já estavam aí, talvez apenas à espera de um gatilho. Saúde mental é dos assuntos mais urgentes e contemporâneos. Precisamos olhar, falar e cuidar. Sejamos adultos, adolescentes ou crianças. Porque a vulnerabilidade é intrínseca ao ser humano.